7 CUMES - SERRA DO IBITIRAQUIRE

 


A Serra do Ibitiraquire é uma cordilheira localizada no estado do Paraná, Brasil. Ela faz parte da Serra do Mar e é conhecida por sua beleza cênica, biodiversidade e oportunidades para atividades ao ar livre, como trekking, montanhismo e exploração da natureza. As trilhas na Serra do Ibitiraquire podem variar em dificuldade, desde trilhas mais curtas e acessíveis até rotas mais desafiadoras. Os aventureiros que exploram essa região podem esperar encontrar uma rica diversidade de flora e fauna, bem como paisagens deslumbrantes que tornam a experiência de trekking e montanhismo muito gratificante.

A travessia dos 7 cumes na Serra do Ibitiraquire é uma rota de trekking desafiadora e emocionante que envolve a subida de sete picos da região. Cada um desses picos oferece diferentes níveis de dificuldade e vistas panorâmicas espetaculares da paisagem circundante. Os sete picos que compõem a travessia dos 7 cumes na Serra do Ibitiraquire são:

1 - Pico Camapuã
2 - Pico Tucum
3 - Pico Cerro Verde
4 - Pico Ovos de Dinossauro
5 - Pico luar
6 - Pico Siri
7 - Pico Siririca


A travessia dos 7 cumes na Serra do Ibitiraquire exige um bom condicionamento físico, experiência em trilhas e montanhismo, além de equipamentos adequados. Sempre é recomendável estar preparado, levar água, alimentos, roupas apropriadas e seguir as orientações de segurança. A demarcação das trilhas pode variar de pico para pico e ao longo do tempo. Alguns picos podem ter trilhas bem definidas e marcadas, enquanto outros podem ter trilhas mais rudimentares ou menos demarcadas. A Serra do Ibitiraquire é conhecida por suas trilhas desafiadoras e algumas delas podem ser menos frequentadas, o que pode afetar a visibilidade das marcações. Em muitas partes da trilha tem marcações que podem ser fitas coloridas, sinais de pintura nas pedras ou árvores, placas direcionais e outras formas visuais de orientação, porém muitas partes tivemos que entrar na mata fechada e ir encontrando o caminho.

Como chegar

Situado na cidade de Campina Grande do Sul – Paraná, para chegar na chácara do bolinha onde fica o inicio da Trilha, precisa ir sentido BR-116 Curitiba – São Paulo, a 5 km de estrada chega ao primeiro pedágio, depois deste encontra-se o Posto do Túlio. A entrada da chácara do bolinha fica aproximadamente 400 metros à frente, à direita, mantenha atenção pois não há sinalização. Sendo assim siga por mais 5 km de estrada de chão. É cobrado taxa de permanência na chácara no valor de R$10,00 reais por pessoa (o preço pode ter alterado), caso opte por tomar banho, são R$5,00 reais por pessoa.


O Roteiro

Fazer o trajeto em 2 dias e 1 noite, com Camping no cume do Pico Siririca, considerado o Pico mais difícil do Paraná apelidado de K2 paranaense. O Programado era chegar na Chácara do Bolinha as 6 da manhã para iniciarmos o grande trajeto. O objetivo do primeiro dia era caminhar até o cume do Siririca por cima passando pelos 7 cumes, e no segundo dia era descer de volta para a Chácara por baixo.





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O nível de dificuldade da travessia dos 7 cumes na Serra do Ibitiraquire é considerado elevado e exige um bom condicionamento físico, experiência em trilhas e montanhismo, além de equipamentos adequados. Cada um dos picos incluídos na travessia pode apresentar desafios individuais, como terrenos íngremes, rochosos, exposição a elementos climáticos e variações de altitude. Aqui estão alguns fatores que contribuem para o nível de dificuldade: Terreno, vegetação densa, variações climaticas, distancias e elevações de um cume para o outro e exigência técnica, esses são alguns fatores que dificultam esse percurso.


Dia 1 - Inicio da Trilha


Iniciamos o percurso tranquilamente por volta das 6 da manhã saindo da Chacara do Bolinha, em nossa mente só estavamos torcendo para ter uma boa janela de tempo para podermos cumprir o desafio da melhor forma possível e admirar essa serra encatadora, já iniciamos o percurso com uma subida suave dando uma boa ideia de como seria esses 2 dias, em um bom ritmo sem paradas chegamos as plaquinhas onde tem as bifurcações para os cumes 1 hora e meia depois de termos iniciado, são várias placas que sinalizam a direção com os tempos de caminhada e os níveis de dificuldade o lugar é um verdadeiro lamaçal e até difícil para achar uma boa posição para tirar uma foto.





Seguindo pela esquerda sentido "Camapuã" que será nosso primeiro cume dessa expedição, a subida agora é íngreme com muitas raízes e pedras em meio às árvores, por estar com a cargueira pesada o esforço é grande para ir ganhando altitude. Com cerca de 40 minutos desde a bifurcação anterior, a trilha emerge em uma área bem aberta que é conhecida como rampa do Camapuã que tem uma vegetação baixa com arbustos e alguns trechos de rocha. É uma subida pesada e por estar com a cargueira pesada é um obstáculo a mais, por isso é importante retomar o folego, beber aguá e dar uma admirada na vista, pois nessa parte é um visual mais aberto, lembra um pouco a subida do Pico dos Marins na querida Mantiqueira. Do lado direito já conseguiamos ver o local que seria nosso objetivo desse dia o Pico Siririca se destacava, dando para ver as 2 placas, quase imperceptíveis. E exatamente as 8:50 chego ao topo do Camapuã, altitude de 1720 metros o local é plano e extenso, tendo vários descampados a vista daqui é 360º com destaque para o Pico Paraná, surgindo ao lado do Tucum, Represa do Capivari, Itapiroca, Caratuva, Siririca e muitos outros picos da Serra do Ibitiraquire que podem ser vistos daqui até o conjunto Marumbi. Um breve descanso para comer algo e repor as energias, não assinamos o livro pois o cume estava sem livro, quem sabe numa próxima oportunidade.


                                                       Cume Pico Camapuã


Por volta das 9:30 vou descendo por trilha na direção leste, trecho tranquilo no inicio da subida pela encosta do Tucum a esquerda tem uma fonte de agua uma pequena gruta, algo muito bom nessa travessia é que tem muitos pontos de agua então da para amenizar o peso da cargueira não carregando tanta agua pois pelo caminho tem bastante, continuo a subir o paredão do Tucum e por volta das 10:05 chego ao seu topo, repleto de Caratuvas, vários espaços de camping, este cume tem a altitude de 1740 metros, com certeza uma das melhores vistas, diferente do Camapuã o Tucum estava com sua caixinha e seu livro de cume que com certeza deixei meu registro ali.


                                               
 Cume do Pico do Tucum com seu livro  
                                           



Pico Camapuã e Tucum foi a parte facil, daqui para frente a trilha não é das mais faceis com trechos muito ingremes e cordas para ajudar na descida, por isso muita calma e cuidado na descida, com a mochila pesada fica mais facil para acontecer qualquer acidente, com isso vou descendo sem pressa e perdendo altitude rapidamente devido a grande inclinação a descida do Tucum sentido Cerro Verde é assustadora, muito inclinada que se der um passo em falso pode acontecer um grande acidente, é preciso tomar cuidado onde se apoia nos trechos mais íngremes, já que tem muito espinho na vegetação, fico imaginando quem faz o caminho inverso subindo essa trilha com uma cargueira, não deve ser fácil. Finalizando a descida numa densa floresta que ocupa o fundo daquele vale se encontra algumas bifurcações na duvida utilize o GPS, mas outra forma de se orientar é seguindo as fitas coloridas de cor laranja ou amarela que estão amarradas em algumas árvores.


Placa Cerro verde


Cruzamos por um riacho, quem for acampar no Cerro verde este é o ultimo ponto de agua, em alguns minutos saímos do trecho de mata para emergirmos em área de vegetação mais baixa. Por volta das 11:30 chego na bifurcação para a direita é sentido Siririca e para nós iriamos ir para esquerda nesse momento para subir o Cume do Cerro verde, deixamos a cargueira ali e subimos leves para o cume, a vegetação para subir o cume do Cerro verde é alta e densa sem as cargueiras já estávamos nos enroscando entre ela, como estávamos leves rapidinho chegamos a área de camping do Cerro verde em meio a um mar de caratuvas, o lugar está deserto o topo está a uns 50 metros na direção da borda do paredão, onde tem fixada uma caixinha com o livro do cume.


                                         
Cume Pico Cerro Verde Altitude 1660 metros

A vista do Cerro verde é um espetáculo com o PP bem de frente e do lado dele o Ibitirati, mas para o nosso azar quando chegamos ao cume o tempo fechou e nada em volta conseguiu ser visto, fica para uma próxima oportunidade pegar uma vista aberta deste Pico incrível, assinamos o livro de cume e sem mais delongas descemos pois tínhamos muito percurso ainda pela frente, a descida é muito rápida pela trilha e em poucos minutos estávamos na bifurcação para seguir o caminho, chegamos lá embaixo e antes de continuar comemos algo para repor as energias, por incrível que pareça o tempo abriu novamente e podemos seguir com o sol nos aquecendo.  Seguindo sentido Siririca nosso próximo cume será o Ovos de Dinossauro desse ponto da para observar um rasgo nítido subindo o morro, é bem demarcado vamos subindo sem muita dificuldade, entramos em uma área de mata fechada para cruzar um pequeno riacho, passamos por outra área de vegetação um pouco mais baixa para em seguida cruzar outro riacho só que dessa vez com uma quantidade menor de agua, conforme vamos subindo a trilha alterna entre mata fechada e vegetação baixa com vários mirantes da serra, passo por um deles de grandes pedras e só foi caminhar alguns metros e encontramos uma bifurcação, deixamos a cargueira ali e caminhamos para a direita que leva até o Picos Ovos de Dinossauro. 


                                          Pico Ovos de Dinossauro altitude 1600 metros 



De longe realmente parecem ovos, este cume não tem livro, tiramos algumas fotos, admiramos a vista e seguimos caminho, seguimos subindo pela trilha para chegar em outro cume agora é o Luar, que tem altitude de 1630 metros, marcado por algumas rochas, este cume tem o livro em sua caixinha, e da li conseguimos avistar bem o nosso objetivo que é o Pico Siririca e uma de suas placas, parecia tão perto mas ainda tínhamos muito pela frente era por volta das 14:55.


                                               Cume do Luar com Siririca ao Fundo


Descendo pelo outro lado, muito cuidado aqui porque a trilha se divide seguindo pela direita, me orientando pelo tracklog nessa parte pois não havia trilha, descemos por um trecho curto pelo campo até entrar na mata e chegar em um riacho, passando por arvores finas e retorcidas o lugar mais parece com um cenário de um filme de fadas e duendes e é apelidado de Floresta encantada, ao chegar em um local onde 2 riachos se encontram, a vegetação muda e a partir daqui vamos subindo uma encosta entre grandes pedras até o topo, onde já conseguimos visualizar a trilha em um campo mais aberto lá embaixo.


                                                                     Floresta Encantada



E aqui novamente a trilha se divide em 2 e vamos pela direita, agora direção segue para um fundo de vale, que é o leito de um rio com muitas pedras, cipós, raízes e espinhos, aconselho usar um par de luvas nesse trecho, pois como eu não usei minhas mãos estão bem machucadas, é um trecho curto até chegar a uma grande clareira em meio a mata fechada, onde a trilha de cima do Siririca se encontra com a trilha debaixo, são 17:10 e já estávamos caminhando por volta de 10 horas o local é conhecido como "ultima chance", pois o nome remete a dificuldade de subir o Siririca a partir dali, então essa é a ultima chance para desistir. Nos hidratamos, pegamos as lanternas e enchemos as garrafas, revigorados na medida do possível seguimos por um aclive suave entre a mata fechada até sair em uma área aberta, nos campos de altitude. A inclinação vai aumentando aos poucos e o cansaço se torna mais ainda evidente pois já estávamos a mais de 10 horas andando, parando as vezes para retomar o folego vamos ganhando altitude até chegar a rampa do Siririca. É um trecho complicado pois o cansaço estava batendo forte e já estava a noite, nossas head lamp estavam iluminando o caminho a frente, com o auxilio de cordas nos trechos de rochas mais íngreme foram umas 3 no total, vamos subindo e tomando o devido cuidado.

Depois das cordas, a trilha segue em meio a muita caratuva e taquarinha por trechos íngremes, além de estar lutando contra o cansaço e a subida tínhamos que lutar contra a vegetação para se desprender, importante parar, respirar e retomar o folego, seguindo em frente para o último trecho em meio aos bambuzinhos era os metros finais mas parecia que não chegaria nunca no topo. E pouco antes das 19:30 chego ao topo do Cume Siririca apelidado de K2 paranaense pelo seu nível de dificuldade com sua altitude de 1760 metros, quase 13 horas de caminhada nesses 7 cumes, sem perder tempo, continuo pela trilha até as placas, passando ao lado da primeira até chegar na segunda e junto dela encontro vários descampados em meio a vegetação onde montarei a minha barraca. Estava a noite e frio, então montei minha barraca cozinhei algo para comer e por volta das 21:30 dormi, meu objetivo era acordar as 06:00 com esperança de presenciar um lindo nascer do Sol desse cume e ainda de cara subir na placa.





Acordei as 6 horas com esperança de presenciar um lindo nascer do sol, mas infelizmente, estava com uma neblina bem forte e estava garoando, não foi dessa vez mas terá próximas oportunidades, mas mesmo assim tenho muita gratidão por ter tido a oportunidade de subir nesse cume temido e ter passado a noite ali, o que me restou foi preparar um bom café da manhã e depois arrumar meus equipamentos para começar a descida as 8:30.





Inicio a descida por volta das 8:30 estava a neblina forte e garoando levemente, o anorak ajudou bastante, descendo devagar e tomando cuidado para não escorregar visto que as rochas no inicio da descida estavam úmidas, propicias para quedas, passo pela cordas sem muita dificuldade e chego no "Ultima chance", agora seguindo a trilha de baixo.

Daqui em diante vamos alternando a trilha entre subidas e descidas de vales com muitas raízes, troncos, pedras, cipós em meio a mata fechada, algumas arvores caídas dificultam a caminhada, mas a navegação é aparentemente tranquila por ser uma trilha demarcada, só é preciso cuidado para não cair nas encostas laterais ou escorregar entre as raízes, de vez em quando eu checava o tracklog para ter certeza que estava no caminho correto e para saber se faltava muito para chegar nas placas das bifurcações. Sem muita pressa andando no meu ritmo, passo pela cachoeira do Professor, o nome é em homenagem ao professor Erwin gröger, orquidófilo austríaco que adotou o Paraná como residência, agua é o que não falta nessa trilha. Algum tempo depois inicia um trecho bem desgastante, é uma longa subida que parecia não ter fim. Fui chegar na grande área de camping no topo de um morro bem cansado, a partir dai fomos descendo com um pequeno riacho ao lado e cruzando ele algumas vezes até chegar ao encontro de 2 rios, mais outra subida passando por uma área de lamaçal até finalmente chegar nas placas dos picos, onde a trilha debaixo se encontra com a de cima. Agora é praticamente só descida na direção do Bolinha onde chego por volta das 15:30, 7 horas praticamente do Pico Siririca até a Chácara do Bolinha, para se ter a ideia de como está montanha é pesada e desgastante. 


Hora de voltar para casa com mais memorias incríveis e experiências marcantes, avante sempre!

Comentários

  1. Muito bom!!!
    Tenho muita vontade... e um medo que está maior ainda 😂

    Quais trilhas indicaria para iniciantes? Pq essa ai amigo, é nivel hard master kkkkkk

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    Respostas
    1. O objetivo deste blog é dar alguns relatos para conscientizar as pessoas do nivel do lugar onde está indo kkkkk imagina ir para um lugar desse e passar um perrengue no meio do nada né kkkkkk de inicio é super importante ir subindo degrau por degrau, trilhas e montanhas para iniciar a primeira que indico é o pico do lopo em extrema, e depois tem diversos picos no Parque nacional do Itatiaia, lá tem uma infraestrutura bem legal para quem ta começando e é isso ir em uma com objetivo de ir em uma outra mais dificil.

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