SISTEMA FUNICULAR SERRA DO MAR

 


O Sistema Funicular é um conjunto de linhas ferroviárias e dispositivos de transporte localizados na vila de Paranapiacaba, no município de Santo André, no estado de São Paulo, Brasil. Essa vila foi estabelecida no século XIX para abrigar os funcionários da São Paulo Railway Company, uma empresa ferroviária britânica que operava a Estrada de Ferro Santos - Jundiaí. O Sistema funicular é notável por seu papel histórico e pela engenharia ferroviária empregada, a principal finalidade do Sistema funicular era permitir que os trens vencessem os significativos desníveis topográficos entre a parte alta e baixa da serra, superando os desafios naturais apresentados pelo terreno íngreme da região. 

O termo "Funicular" refere-se a um tipo de sistema de transporte que utiliza cabos e trilhos inclinados para movimentar veículos para cima e para baixo em terrenos íngremes. Em Paranapiacaba, o sistema funicular era composto por cabos e contrapesos que ajudavam a movimentar os trens em ambas as direções. O Sistema Funicular encerrou suas operações em 1982 o fechamento ocorreu devido a modernização e eletrificação da linha férrea, que tornou obsoleta a necessidade do sistema funicular para superar os desníveis no terreno, o uso de funiculares e sistemas similares foi gradualmente substituído por métodos mais eficientes e avançados. Assim o sistema funicular de Paranapiacaba foi desativado após muitos anos de serviço.



Infelizmente, o Sistema Funicular de Paranapiacaba, outrora uma obra grandiosa repleta de história, encontra-se atualmente em estado de abandono, sujeito à deterioração ao longo do tempo. Esta notável estrutura, que desafiou os desníveis topográficos da região por muitos anos, agora enfrenta os efeitos do descaso e do tempo. A grandiosidade e significado histórico do Sistema funicular merecem ser preservados para as gerações futuras, em vez de ser esquecido, esse patrimônio industrial poderia ser revitalizado e transformado em um museu, proporcionando aos visitantes uma jornada única pelo passado ferroviário e industrial do Brasil. Um museu dedicado ao sistema não apenas resgataria a memória dessa engenharia impressionante, mas também atrairia entusiastas, turistas e estudiosos interessados na rica herança industrial da região.

A vila de Paranapiacaba já se destaca  como um ponto turístico histórico, e a incorporação do Sistema Funicular como parte desse conjunto fortaleceria ainda mais sua atração, a preservação desse patrimônio não apenas enriqueceria a compreensão da história local, mas também proporcionaria uma experiência educativa e cultural única para todos os que visitam essa região marcada pela inovação ferroviária



 A região de Paranapiacaba tornou-se um verdadeiro paraíso para aventureiros em busca de contato com a natureza e entusiastas do hiking. Ao longo do tempo, o antigo Sistema Funicular ganhou fama como uma trilha desafiadora e cênica, atraindo a atenção de aventureiros de todo o Brasil, é notável a presença de visitantes de outros estados que viajam para Paranapiacaba especialmente para explorar essa trilha única. Entretanto é crucial enfatizar que a trilha do sistema funicular não é autorizada e representa um perigo real. Infelizmente registros de acidentes fatais confirmam a seriedade dos riscos associados a essa prática, pessoas que caminham nos trilhos correm o risco de desequilíbrio e quedas, resultando em consequências trágicas.

Além dos perigos naturais da trilha, é importante destacar que os praticantes do hiking no Sistema Funicular estão sujeitos a multas substanciais pela empresa responsável pelos direitos, a MRS. Essas penalidades visam dissuadir a prática não autorizada e proteger a segurança dos visitantes pois as pontes, tuneis e casas de maquinas que tem pelo percurso estão se deteriorando pois tem mais de 150 anos, e está abandonado a mais de 40 anos.


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TRILHA

Já fiz diversas vezes está trilha, quando iniciei neste mundo de trilhas o ápice para quem pratica o hiking na serra do mar era esta trilha da funicular, porém ressalto mais uma vez é muito perigoso além da estrutura estar se deteriorando tem muitas cobras pelo caminho como Jararaca, então é de suma importância ter atenção na onde pisa, fiz a travessia completa que é de Paranapiacaba até a Usiminas de Cubatão, porém este relato irá apenas do 5º patamar até o 3º patamar que é a famosa laje, aproximadamente 11 km no total, sem dificuldades de navegação pois deve-se apenas seguir o trilho a todo momento.

Para ter acesso a trilha deve-se iniciar cedo aconselhado até as 7 da manhã pois tem relatos que tem guardas florestais após este horário que impede a entrada das pessoas que desejam entrar na trilha. A entrada da trilha fica a esquerda do cemitério passando pelo ponto de ônibus, na entrada da trilha existe uma placa advertindo sobre acesso restrito naquela área, após entrar na floresta deve-se seguir e após alguns minutos de caminhada vai conseguir enxergar o trilho da nova cremalheira que é os novos trilhos da MRS, deve-se atravessar estes trilhos e subir o barranco que fica o Sistema funicular. Após chegarmos a altura dos trilhos do Sistema funicular iremos iniciar a trilha no 5º Patamar, estes patamares era como se fosse a estação para os passageiros descerem e em cada patamar tem uma casa de maquina que funcionava para puxar o trem, ao iniciarmos a trilha em direção a Cubatão, passamos por 2 túneis, distanciados por 200 metros um do outro, neste momento parece que estamos voltando no tempo ao passado, após passarmos pelo segundo túnel teremos o primeiro contato com as maiores atração desta trilha que são as pontes, a primeira ponte e todas as outras estão com as madeiras podres então é mega importante pisar somente na parte metálica ou se preferir e não se sentir seguro para ir andando vá agachado se segurando.

A vegetação tomou conta de tudo e está bem alta, depois da primeira ponte e caminharmos mais 400 metros chegamos a mais um túnel que contém restos de ferrovia e como todos os outros a infiltração cria goteiras no teto, ao final deste túnel teremos a segunda ponte que está em condições parecidas com a anterior. Mais dois túneis no caminho 200 metros de distancia um do outro, e em um deles tem algumas galerias que consegue-se entrar, vai andar agachado e precisa de lanterna para iluminar, tomar cuidado pois tem buracos em algumas partes da galeria que pode te levar para um lugar que não sabemos onde irá parar, quem tem claustrofobia não deve entrar pois é um lugar fechado e apertado, essa galeria vai ter saída próxima a terceira ponte e mais famosa a grota funda, a galeria não precisa entrar fica a seu critério decidir, caso não entrar só seguir em frente no túnel que terá a ponte grota funda a frente, após sair do túnel a direita tem um caminho que leva para cima do túnel que serve como um mirante para quem deseja tirar foto e visualizar aquele lindo lugar.



A ponte mais marcante desta trilha é sem duvidas a Grota funda, com altura aproximadamente de 60 metros de altura, é a ponte mais alta da trilha e por experiencia própria é a ponte que mais me sinto seguro, essa altura fez com que fosse projetada e construída uma ponte sem pilares, apenas com uma estrutura em metal ligando os dois lados. Atravessei pelos trilhos do lado esquerdo onde se permite a vista de uma cachoeira em que desce as águas que cruzam a ponte por baixo. Depois de atravessar a ponte seguimos e a direita tem um caminho que leva a casa de maquina desta ponte que é o 4º Patamar, neste local se movimentava os cabos de aço que tracionavam os locobreques (Locomotivas do Sistema Funicular Serra Nova) para a subida da serra, trazendo a carga a partir do litoral de São Paulo. A partir desta casa de maquinas se acessa a estrutura metálica da ponte grota funda, este é o cartão postal desta trilha, neste ponto é possível tirar a sua foto em um abismo de 60 metros de altura.




Após tirar as fotos e comer algo na casa de maquinas do 4º Patamar, seguimos em frente e de cara atravessamos mais um túnel, para chegarmos na próxima ponte enfrentaremos uma vegetação fechada importante atenção tanto em cima nos galhos quanto embaixo pois pode haver cobras, a quarta ponte podemos atravessar por cima ou ir por baixo, embaixo dela tem um tobogã natural que pode ser usado para refrescar e usar como dose a mais de adrenalina pois é bem divertido, depois de mais de 1 km chegamos a mais uma ponte, nesta ponte a vegetação tomou conta então não conseguimos passar por ela, mas ainda bem tem um caminho do lado esquerdo que podemos contorna-la. Depois de 200 metros chegamos ao nosso objetivo que é a casa de maquinas do 3º Patamar, outro cartão postal desta trilha onde fica a laje onde muitos tiramos nossas fotos com a paisagem das montanhas em contraste, muito cuidado ao chegar a ponta da laje o teto está desmoronando.



Após tirarmos nossas fotos neste cartão postal descemos na casa de maquina que fica embaixo desta laje, está tudo abandonado e a vegetação tomou conta. è verdadeiramente fascinante mergulhar na historia ao explorar este lugar incrível, cujo cenário evoca reminiscências da Europa medieval. A influencia direta dos ingleses na região, refletida na arquitetura e no funcionamento do sistema funicular, transporta-nos para uma era passada de atividade ferroviária e progresso industrial. Contudo ao testemunhar o estado atual de abandono e deterioração gradual, é inevitável sentir uma pontada de melancolia, a vila que outrora pulsava com a energia da operação ferroviária, agora enfrenta a perspectiva de se tornar apenas uma lembrança de um tempo glorioso, essa transformação gradual da funcionalidade histórica para o abandono, evoca uma sensação de perda pela preservação do patrimônio industrial.



Hora de retornarmos pelo mesmo caminho que viemos, quem normalmente faz está trilha é o caminho clássico ir até o 3º patamar e voltar, tome cuidado no retorno e sempre muita atenção.

Um caminho marcante que tenho muito orgulho por ter passado ali!!!




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