ABROLHOS - CONJUNTO MARUMBI



O Conjunto Marumbi, também conhecido como Serra do Marumbi, é um espetaculo natural situado no Paraná, próximo às cidades de Morretes, Piraquara e Quatro Barras.
Essas majestosas montanhas, visíveis de diversos pontos da região, despertam a curiosidade e o interesse de montanhistas, ansiosos por explorar suas trilhas em diferentes níveis de dificuldade.
Considerado o berço do Montanhismo no Brasil, o conjunto Marumbi marcou história ao ser a primeira montanha de grande dificuldade conquistada e documentada no país, em 1879, por Joaquim Olimpio Carmeliano de Miranda, que dá nome ao pico mais alto do conjunto.
Composto por nove montanhas de diversos tamanhos, o conjunto oferece uma variedade de paisagens deslumbrantes: Olimpo (1.539 metros), Boa vista (1.491 metros), Gigante (1.487 metros), Ponta do Tigre (1.400 metros), Esfinge (1.378 metros), Torre dos Sinos (1.280 metros), Abrolhos (1.200 metros), Facãozinho (1.100 metros) e o morro Rochedinho (625 metros).



O Conjunto Marumbi está situado dentro do Parque Estadual Pico do Marumbi, uma importante unidade de conservação brasileira dedicada à preservação integral da natureza na região. A gestão e administração desse parque são conduzidas pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP).
No interior do parque, os visitantes podem encontrar um Centro de Visitantes com Museu, Polícia Florestal, acampamento e a sede do COSMO (Corpo de Socorro em Montanha), além do ponto histórico Reservatório do Carvalho. O acesso ao parque é possível somente através da Estrada de Ferro Curitiba-Paranaguá e por trilhas que atravessam a serra do mar.
Uma curiosidade interessante é que o tombamento da Serra do Mar no estado do Paraná em 1978, que resultou na criação do Parque Estadual Pico do Marumbi, foi embasado em estudos realizados pelo geólogo paranaense João José Bigarella. Esses estudos destacaram que o desmatamento da serra estava contribuindo para o assoreamento da Baía de Paranaguá e dos canais de navegação do Porto de Paranaguá.

Como Chegar

Para chegar ao Conjunto Marumbi vindo de São Paulo até Morretes, cidade próxima ao Conjunto Marumbi, tem aproximadamente 430 km e leva cerca de 5 a 6 horas, dependendo do trânsito e das condições da estrada. Você pode seguir pela Rodovia Régis Bittencourt (BR-116) até Curitiba e, de lá, seguir pela BR-277 em direção a Morretes, de lá fomos até a base do IAP.

Roteiro 

Inicialmente, nosso objetivo era alcançar a Estação Marumbi o mais cedo possível, montar acampamento e realizar a travessia pela via noroeste vermelha, descendo depois pela branca, também conhecida como vertical branca. No entanto, enfrentamos um contratempo na estrada vindo de São Paulo, o que nos obrigou a reavaliar nossa estratégia. Alguns membros do grupo optaram por prosseguir com a travessia, enquanto outros decidiram seguir até o Abrolhos.


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Partindo de São Paulo, nosso plano era chegar à Base do IAP entre 5h30 e 6h da manhã para iniciar a subida. No entanto, ao longo do trajeto pela Rodovia Régis Bittencourt, nos deparamos com um acidente envolvendo um caminhão transportando produtos químicos. Ficamos parados por cerca de três horas, o que atrasou significativamente nosso cronograma e nos deixou preocupados. Isso também gerou dúvidas em relação à regra do Parque Marumbi, que estipula como prazo máximo para iniciar a subida até as 9h da manhã.
Chegamos ao Posto 1 do IAP por volta das 8h30, o que aumentou ainda mais nossa preocupação, já que a regra estabelece como prazo máximo para iniciar a subida até às 9h. Tínhamos pela frente cerca de 4,5 km de subida, passando pela Estação Engenheiro Lange até chegar à Estação Marumbi, base do Conjunto de Montanhas, onde se encontra o Posto do IAP para o cadastro e liberação para subir.
Quase às 10h, chegamos ao posto. Carregávamos cargueiras para o acampamento e mochilas menores para a subida às montanhas em forma de hiking. Ao conversar com o responsável no local, ele nos concedeu a permissão para subir, mas nos alertou que seria por nossa conta e risco. Além disso, destacou que deveríamos retornar até as 21h, pois caso ultrapassássemos esse horário, ele acionaria uma equipe de resgate.



Após recebermos a aprovação, pegamos nossas cargueiras e nos dirigimos à área de camping, que podemos dizer que possui uma estrutura bastante completa. Conta com banheiros, chuveiros de água fria e uma área coberta bem agradável equipada com pia e bancos, ideal para preparar refeições e para momentos de descontração com os amigos após a trilha.
Assim que chegamos, colocamos nossas cargueiras na área coberta e organizamos nossas mochilas de ataque. Por volta das 10h30, começamos a subida pela trilha Noroeste Vermelha. Devido ao tamanho do grupo e ao fato de que a caminhada se estenderia até a noite, alguns não estavam muito animados com a ideia. Por isso, combinamos que, ao chegarmos ao cume do Abrolhos, decidiríamos quem continuaria e quem retornaria.
O caminho é claramente demarcado por sinais vermelhos no chão, em pedras ou até mesmo em árvores. Sempre que uma bifurcação duvidosa aparecia, uma corda fina estava estrategicamente atravessada para evitar que os montanhistas seguissem pelo caminho incorreto.
É importante ressaltar que, com exceção de uma fonte de água que encontramos durante a subida ao Abrolhos, a próxima parada com água seria somente após o cume do Olimpo, que estava bastante distante. Por isso, é essencial levar de 3 a 4 litros de água, pois o esforço exigido nesta trilha é considerável e a água é crucial para manter a hidratação.




A partir da metade da trilha, deparamo-nos com numerosos grampos, correntes e cordas que facilitam a escalada até o topo sem a necessidade de equipamento específico. É notável a quantidade de paredões de pedra imponentes que precisamos transpor, o que pode representar um desafio para aqueles que têm medo de altura.
É surpreendente como a trilha parece nunca parar de subir, e em relação aos grampos, perdi a conta de quantos encontramos ao longo do caminho. Portanto, todo cuidado é pouco.
Por volta das 12h40, alcançamos a bifurcação para o Pico dos Abrolhos: à direita, a trilha leva aos Abrolhos, e à esquerda, continua a travessia até o Olimpo. Optamos pela direita, rumo aos Abrolhos, e continuamos a utilizar cordas, correntes e inúmeros grampos que facilitaram nossa ascensão. Após a bifurcação, seguimos em um ritmo constante e, em aproximadamente 45 minutos, alcançamos o cume dos Abrolhos.



Após alcançar o cume dos Abrolhos, fui imediatamente cativado pela beleza incrível e deslumbrante ao meu redor. Tirei um momento para descansar, contemplar a paisagem, tirar algumas fotos e apreciar o momento. Também aproveitei para fazer uma pausa para comer algo e registrar minha passagem no livro de cume.
Pouco a pouco, os outros membros do nosso grupo começaram a chegar, e enquanto descansávamos, começamos a discutir quem desejava continuar a travessia e quem preferia retornar. Verificamos quem ainda tinha água suficiente para continuar e alertamos que a trilha provavelmente terminaria por volta das 20h - 20h30, caso optássemos por continuar.
Conversando com o grupo, cerca de 85% decidiu voltar para a área de camping, enquanto os outros 15% estavam determinados a conquistar os outros cumes do conjunto. Assumi a responsabilidade de liderar o grupo de volta e mantivemos contato via rádio com os que decidiram continuar.




Então, por volta das 14h20, depois de desfrutarmos do cume dos Abrolhos, todos nós começamos a descida em conjunto. Tanto aqueles que optaram por continuar quanto os que decidiram retornar ao acampamento desceriam juntos até a bifurcação, onde nos separaríamos para seguir nossos caminhos. Continuaríamos nossa comunicação via rádio durante toda a descida.
Enquanto descíamos, começamos a esquecer o esforço da subida, pois agora enfrentaríamos os desafiadores grampos. Sabíamos que todo cuidado era pouco, especialmente porque os acidentes geralmente ocorrem durante a descida, quando o corpo está cansado.



Descemos em um ritmo tranquilo, cuidando para não sobrecarregar os joelhos e nos concentrando nos grampos. Por volta das 17h, chegamos à Estação Marumbi, onde encontramos a área de camping. Sentia-me genuinamente feliz por ter liderado o grupo com segurança de volta.
Após montar minha barraca, dei-me o luxo de um revigorante banho gelado para recarregar as energias. Mantivemos contato com o pessoal que continuava a travessia e, por volta das 20h, eles retornaram, antes do prazo dado pelo guarda. O mais importante é que voltaram felizes e sãos e salvos, orgulhosos de sua conquista.
Nos reunimos todos do grupo para um momento de descontração, entre risadas, boa comida e vinho. Foi um momento especial e agradeço sinceramente pelos inúmeros votos de parabéns que recebi após a meia-noite, já que estava completando 26 anos.

A montanha e as pessoas que conheço por meio dela têm um lugar especial em meu coração.



Para cima e avante sempre!

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