SANTA CRUZ TREK

 

O Parque Nacional de Huascarán, situado na Cordilheira Branca na região de Ancash, no norte do Peru, abrange uma vasta área de 340.000 hectares e apresenta uma rica biodiversidade, com centenas de espécies de plantas e milhares de animais, além de impressionantes formações naturais e geológicas. O nome do parque deriva da Montanha Huascarán, o pico mais alto da Cordilheira Branca, cuja denominação em Quechua significa “cadeia de montanhas”. A região é rica em história, tendo sido habitada desde 13.000 a.C., como demonstram as ruínas arqueológicas que revelam a presença humana em altitudes superiores a 3.700 metros. Vestígios de antigos sistemas agrícolas e de pastagem, alimentados por sofisticados canais e represas, são encontrados nos flancos da serra. Ao todo, 33 sítios arqueológicos foram catalogados, refletindo influências das culturas Chavín e Inca, com seus notáveis sistemas de terraços, estradas e fortificações, que atestam a engenhosidade dos ancestrais. A região também oferece oportunidades para atividades turísticas, como esportes de aventura, excursões e visitas a monumentos históricos, enriquecendo a experiência dos visitantes.

O Parque tem mais de 27 Montanhas que superam 6.000 metros de altitude, sendo o Huascaran o maior pico do Peru e o sexto maior da América do Sul, alcançando os 6.768 metros acima do nível do mar, por esse motivo, este parque é conhecido por deter a maior montanha tropical do mundo. O Parque também abriga dezenas de lagunas lindíssimas, onde posso destacar duas, a primeira Laguna é a Parón localizada a 4.200 metros de altitude, é o maior lago da cordilheira branca tem 75 metros de profundidade, mais de 3 km de comprimento e a cor azul turquesa, a segunda laguna que destaco é a 69 que esta a 4.604 metros de altitude, conhecida pela sua trilha desafiadora de 14 km ida e volta e quase 800 metros de altimetria acumulado, tem aguas cristalinas e tom turquesa, ambas as lagunas servem muito bem para aclimatar.

                                                                   Laguna Parón

O trekking de Santa Cruz é uma das travessias mais famosas do Parque Nacional Huascarán, ao lado do circuito Huayhuash. Esta caminhada dura de 3 a 5 dias, com altitudes que superam os 4.000 metros, totalizando até 60 km, dependendo dos atrativos adicionais incluídos no roteiro. O ponto culminante da jornada é o deslumbrante passo Punta Unión, a 4.750 metros de altitude, onde se pode apreciar a majestosa paisagem de nevados e uma linda laguna logo abaixo. Para fazer este Trekking ou explorar outros atrativos do parque a cidade base é Huaraz que fica a 3.050 metros de altitude.


Como Chegar 

Para chegar ao início do trekking de Santa Cruz a partir de Huaraz, recomenda-se pegar um coletivo no terminal de Carhuaz às 5 da manhã, próximo à plaza de armas. O trajeto de Huaraz a Yungay custa 8 soles. Ao chegar em Yungay, procure o coletivo para Vaqueria, que é o ponto de partida da trilha e um pequeno povoado. Essa viagem de Yungay a Vaqueria custa 30 soles. Assim, o total da ida de Huaraz a Vaqueria é de 38 soles e chegará por volta das 10 da manhã em Vaqueria pois o caminho de Yungay a Vaqueria é uma subida bem forte em estrada de terra com muitas curvas sinuosas. Ao chegar ao início da trilha, há uma pequena venda que oferece café da manhã (Desayuno), refrigerantes e outros alimentos. É importante levar dinheiro em espécie (Efectivo), pois o povoado não aceita cartões (Tarjeta) e o transporte também requer pagamento em dinheiro.

Roteiro

O percurso começa em Huaraz, com destino a Vaqueria, onde iniciaremos a trilha. No primeiro dia, caminharemos até o Camping Paria. O segundo dia será o mais desafiador, com a passagem pelo ponto culminante, o passo Punta Unión, seguido da descida até Llamacorral. Se houver tempo, é possível fazer uma visita à base do Pico Alpamayo e à Laguna Arhuaycocha. No terceiro dia, a caminhada será de Llamacorral até o término da trilha em Cashapampa. De lá, pegaremos um transporte para Caraz e, em seguida, retornaremos a Huaraz, nossa base. Lembrando que para fazer esta trilha tem que adquirir o ingresso do parque, tem de 1 dia, 3 dias e de 1 mês, para mim compensou pegar para 1 mês, custou 150 soles.

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DIA 1 - Huaraz > Yungay > Vaqueria > Paria 

Após chegar em Vaqueria, percebi que o percurso foi cansativo e desgastante. Iria fazer a travessia solo, carregando minha própria cargueira, alimentos, barraca e tudo o que seria necessário para meu conforto e segurança neste incrível roteiro. Estou enfatizando isso porque a maioria dos trekkers opta por fazer a trilha com agências de Huaraz, que oferecem suporte, como o transporte de equipamentos por mulas. Assim, esses grupos carregam apenas o essencial e pagam entre 600 e 800 soles por esse conforto.

Ao chegar em Vaqueria, aproveitei para tomar um café da manhã. A temperatura estava em torno de 18°C, com um céu absolutamente azul, o que me animou bastante. É importante notar que, na altitude da Cordilheira Branca, essa temperatura se sente como se fosse 30°C no Brasil, com o sol muito intenso. Por isso, é fundamental usar protetor solar e uma pescoceira para se proteger.



Iniciei a trilha por volta das 10h25, após o café da manhã. Os primeiros passos foram dados no pequeno povoado de Huaripampa, um lugar simples, com casas de tijolos de barro e bastante isolado. O início do caminho era uma descida suave ou reta, sem grandes dificuldades. Depois de alguns quilômetros, cheguei ao posto de controle de Huaripampa, mas estava fechado e não havia ninguém por ali. Dei uma olhada no outdoor de informações, que mostrava o percurso da travessia Santa Cruz.
Após passar pelo posto de controle, a paisagem do parque se revelou deslumbrante, com vales e montanhas que pareciam saídos de um filme. Quanto mais eu avançava, mais a beleza se intensificava, e picos nevados começaram a surgir entre as ondulações. Embora estivesse fazendo a trilha sozinho, eu não estava só: a companhia de gados do parque — bois, cavalos, ovelhas e outros animais — tornava a caminhada ainda mais encantadora e tranquila.
O primeiro trecho foi tranquilo, conforme o que eu havia planejado, com poucas subidas e um caminho excelente para apreciar a paisagem e me adaptar ao peso da mochila. Percorri cerca de 10,9 km até o camping Paria, que fica a 3.850 metros de altitude, chegando por volta das 13h20. Poderia ter ido mais longe, já que ainda era cedo, mas gostei da área de camping e optei por ficar ali, um pouco desgastado da viagem de Huaraz até Vaquería.



Após chegar, montei meu acampamento com tranquilidade e fui preparar um café antes do jantar. Enquanto isso, alguns guias passaram com suas mulas carregadas e seus clientes. Depois de cerca de duas horas, outras pessoas chegaram para acampar no Paria, então não fiquei sozinho no camping. Por volta das 18h, comecei a preparar minha janta — algo fácil e prático: arroz com atum, uma refeição simples e nutritiva.
O céu estava repleto de estrelas, e eu fiquei admirando a beleza do lugar, apesar do frio que começava a fazer. Fui me deitar por volta das 19h30, a fim de descansar para o segundo dia, que prometia ser o mais pesado da trilha.



DIA 2 - Paria > Llamacorral 

No segundo dia, acordei por volta das 6 da manhã. Dormi muito bem, e a noite certamente fez temperatura negativa, pois, ao sair da barraca, encontrei tudo coberto de geada. Assim que acordei, preparei um café bem doce para dar aquele impulso de energia que eu precisaria para o dia, que prometia ser puxado: sairíamos de 3.850 metros e subiríamos até 4.750 no passo Punta Unión, um ganho de 900 metros de altitude com uma cargueira pesada, o que tornaria a caminhada ainda mais cansativa. Depois de tomar um café reforçado, comecei a desmontar o acampamento para sair pontualmente às 7:00 da manhã.
Iniciando a caminhada, o frio cortante me acompanhava. Nos primeiros momentos, a subida era sutil, uma inclinação gradual que me levava cada vez mais perto dos nevados. À medida que avançava, a trilha se tornava mais intensa e o sol começava a dominar o percurso, que quase não oferecia sombra. Cada passo me levava a uma nova transformação na paisagem, que se tornava mais deslumbrante à medida que ganhava altitude.
Após uma subida intensa, já acima dos 4.500 metros, o soroche começou a se manifestar com mais força. A mochila parecia mais pesada a cada passo, e a única maneira de seguir em frente era adotar um ritmo lento, um passo de cada vez. Por volta das 11:15, finalmente alcancei o Passo Punta Unión. Estava ofegante, mas a felicidade tomava conta de mim; era um sonho realizado estar ali. Passei cerca de 30 minutos admirando a vista, tirando fotos de um cenário surreal: os nevados ao fundo e a Laguna Taullicocha, com suas águas azul-turquesa, fruto do degelo das montanhas que a cercavam. Cada momento era mágico, um verdadeiro espetáculo da natureza.



Comecei a sentir dores de cabeça e um leve mal-estar, resultado da altitude e do esforço necessário para subir aqueles 900 metros. Decidi que alguns momentos de glória são preciosos, e na descida, aproveitei para admirar os nevados e a Laguna Taullicocha. A descida parecia interminável, mas meus passos não rendiam como eu esperava, devido ao terreno repleto de pedras soltas, que exigia cautela para evitar acidentes graves.
O sol estava forte, e fiz algumas paradas para reabastecer minha água nos rios que me acompanhavam ao lado. Por volta das 13:20, finalmente alcancei o acampamento Taullipampa, a 4.250 metros de altitude. Com a cabeça latejando e o sol me castigando, parei para comer algo e preparei um mate de coca. Depois de um breve descanso, retomei a caminhada e logo cheguei à bifurcação em direção ao Alpamayo, uma rota extra que considerava.
No entanto, como não estava me sentindo bem e ainda teria que subir mais 500 metros, decidi seguir em frente. Quem sabe, em uma próxima oportunidade, eu retornaria e até escalaria essa montanha belíssima. Naquele momento, uma sensação de arrependimento me atingiu por não ter trazido meus bastões de caminhada; eles teriam feito uma enorme diferença.
Por volta das 14:12, cheguei a mais um acampamento, o Jatunquisuar, que também possui uma bifurcação que leva ao Alpamayo e à laguna. Já estava bem cansado e, ao conferir o GPS, percebi que ainda havia um longo caminho pela frente. O terreno estava, na maior parte, reto ou em descida, mas a altitude continuava a me castigar. Na minha mente, acreditava que conseguiria chegar a Llamacorral apenas por volta das 18:00 horas.
O trecho à frente revelava um lindo vale, e avistei uma bela laguna ao longe. A caminhada se tornava cada vez mais puxada, e passei por um extenso percurso que parecia um deserto, com areia que fazia meus pés afundarem, tornando a caminhada ainda mais pesada. Finalmente, alcancei a laguna que tanto via de longe, chamada Laguna Jatuncocha. Ela era magnífica e grande; sentei-me ao seu lado para admirar a vista e comer algo, buscando um pouco de energia para continuar rumo ao meu destino.
A partir dali, encontrei muitos animais pastando, como bois e cavalos, e tive a oportunidade de observar várias brigas entre os bois. O sol começava a se pôr, e, de repente, um vento gelado começou a soprar, tornando o clima bastante frio. Por volta das 17:15, cheguei ao meu destino planejado. Estava exausto, depois de mais de 25 km em 10 horas de caminhada. Montei meu acampamento, e naquela noite fui cercado por muitos bois e cavalos. Peguei água do rio que passava ao lado e preparei minha refeição. Estava completamente exausto e só queria comer e descansar.
Por volta das 19:00, após um jantar de macarrão, apaguei de imediato e só acordei onze horas depois, renovado.



DIA 3 Llamacorral > Cashapampa > Caraz >Huaraz


Às 6 e pouco da manhã, comecei tranquilamente a preparar meu café da manhã, pois estava prestes a finalizar o Santa Cruz Trekking. Com apenas 9,9 km restantes, sabia que seria uma caminhada tranquila e não havia pressa para sair correndo. Por volta das 7 e pouco, iniciei meu último dia. O sol já brilhava forte, e a trilha serpenteava entre as montanhas, ao lado de um riacho.
A descida era contínua e um tanto perigosa, com muitas pedras soltas e areia, e o riacho correndo logo abaixo do lado direito. Mantive um bom ritmo e, às 9:50, cheguei ao ponto de controle de Cashapampa, que marcava o fim da trilha. O guarda-parque solicitou meu ingresso, carimbou-o e me liberou. Senti uma imensa satisfação ao perceber que havia cumprido um objetivo antigo: finalmente estava ali, em Cashapampa, e tinha realizado meu maior sonho ao chegar em Huaraz.


Segui alguns metros à frente até a cidade de Cashapampa, onde começaria minha jornada de volta para Huaraz de van. Assim que cheguei à placa "Ruta de Trekking Santa Cruz", uma senhora peruana muito gentil me avisou que a van para Caraz já me aguardava. Agradeci sua generosidade e entrei no veículo. O custo da viagem até Caraz era de 20 soles, e essas vans ficam disponíveis na saída de Cashapampa até às 16:00 horas. Portanto, se você planeja fazer essa trilha, fique atento ao horário de retorno, pois após as 16:00 horas pode ser difícil encontrar transporte para Huaraz.
Peguei a van até Caraz, a cidade mais próxima, e lá me deixaram no terminal, onde havia vans para Huaraz por 10 soles. Assim, minha volta para Huaraz custou um total de 30 soles. No fim das contas, gastei 68 soles em transporte, somando ida e volta. Estava muito feliz por ter completado esse trekking mundialmente conhecido. Agora, é hora de me preparar para as próximas aventuras e montanhas neste incrível mundo!



Passei 15 dias em Huaraz, Ancash - Peru, onde tive a oportunidade de aprender e conviver com uma cultura tão simples e generosa. Foi uma experiência incrível, repleta de trekkings, hikes e encontros com pessoas de diversas nações, que me motivaram ainda mais a seguir esse caminho e continuar subindo montanhas. Apesar do esforço, a satisfação foi imensa. Cada dia trouxe novos desafios e alegrias, solidificando meu amor pela natureza e pela aventura.

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